Distúrbio Articulatório

Luciana Vieira Dias Alves de Oliveira, Fonoaudióloga

A criança deve completar a aquisição de todos os fonemas, ou seja, falar corretamente até os quatro anos e meio de idade.

Aos cinco anos deve estar falando como um pequeno adulto. Quando isto não acontece, a criança passa a apresentar o que chamamos de distúrbio articulatório.

O Distúrbio articulatório é uma alteração na fala que ocorre principalmente na infância, sobretudo nos primeiros anos escolares. Às vezes parece ser “bonitinho” ver uma criança falando errado, mas dependendo do tipo de erro e a idade é importante ficar atento e procurar um fonoaudiólogo. Este profissional avaliará a necessidade ou não de um tratamento.

A alteração na fala pode ocorrer de diversas formas como:

Omissão: quando há ausência da produção de um ou mais fonemas (sons), como “ato”, “apéu”, “ofá”  ou “pesente” para gato, chapéu, sofá ou presente.

Trocas: quando o fonema não é produzido ou é substituído por outro. Exemplos: cachorro para “tachorro”, gato para “dato”, pássaro para “pássalo”, chinelo para “sinelo”, entre outros.

Adição: nesse caso, a criança adiciona sons que não existem na palavra, como “predra” ao invés de pedra.

Transposição: ocorre inversão do lugar onde o som é pronunciado corretamente. Assim a palavra iogurte e caderno, passa a ser emitido como “iorgute e cardeno”.

Distorção: quando a produção do som parece ser estranha, como por exemplo, som de “s” parecido com som de “ch”(sapato para chapato) ou som de z com som de j (azul para ajul).

Substituição ou trocas sonoras: vaca, bola, zebra, goiaba e jacaré são produzidos respectivamente por “faca, pola, sebra, coiaba e chacaré”. Estas trocas estão intimamente ligadas à discriminação auditiva e são conhecidas como troca de sonoridade, pois um som sonoro /b,d,g,v,z,j/ é trocado por um surdo /p,t,q,f,s,x/. Este tipo de troca não é esperada em fase alguma da aquisição da fala, pois trata-se de uma dificuldade em uma das habilidades auditivas, ou seja, a criança escuta perfeitamente, porém não consegue reconhecer, discriminar auditivamente  que um som é diferente do outro (forte e  fraco).

Outro tipo de distúrbio articulatório é conhecido como sigmatismo anterior. Neste caso, a língua é posicionada entre os dentes e para frente durante a produção de alguns fonemas, principalmente nos sons /S e Z/.  Dependendo da idade em que a criança se encontra, a freqüência e a intensidade no modo em que a língua é projetada entre os dentes, deve-se procurar tratamento fonoaudiológico para adequar a posição correta da língua durante a fala.

Várias são as causas que podem propiciar um distúrbio articulatório, entre elas: atraso da linguagem, ou seja, criança que demorou muito para falar, cultura, regionalismo, ambiente familiar, uso prolongado de chupeta ou mamadeira, alterações nos músculos orais, má- oclusão dentária, alteração cognitiva, problemas auditivos, entre outros.

Os pais devem ficar atentos na fala dos pequenos. Dependendo dos tipos de trocas e a fase em que a criança se encontra se não forem acompanhadas e até mesmo tratadas, estas trocas podem interferir no processo da aquisição da escrita, ou seja, falar e escrever errado. Pode também gerar redução na auto estima, já que a criança encontra-se numa fase de grande expressividade oral e para ela não será nada agradável que sua fala cause estranheza ou não seja compreendida pelos seus colegas ou familiares.

O distúrbio articulatório tem tratamento e o profissional adequado é o fonoaudiólogo. Ele realizará uma avaliação da fala da criança e de todas as estruturas orais e aspectos que interferem e envolvem a linguagem oral.

Caso seu pequeno(a) apresente algum erro na fala, è importante ressaltar que: não é adequado  reforçar os erros da criança, imitando o modo como ela fala ou dizer que é bonitinho. Evite induzir a criança a falar certo e nem fique repetindo inúmeras vezes a produção adequada da palavra. Rir do modo como o menor fala também não é aconselhável. Esse tipo de crítica só aumentará o distúrbio e o medo de falar, gerando até a possibilidade de uma gagueira patológica.

Cabe ressaltar que o tratamento fonoaudiólogico é fundamental para que o distúrbio articulatório não interfira na escrita e na auto estima, além de evitar que a criança chegue na fase adulta  com as alterações já descritas.

Luciana Vieira Dias Alves de Oliveira, fonoaudióloga educacional e com atuação clínica em distúrbios da voz, fala, processamento auditivo central e distúrbios de leitura e escrita. Ministra cursos e palestras de formação para professores de Educação Infantil e profissionais que atuam com a comunicação e expressividade vocal. Docente do curso de licenciatura em música e Pedagogia da FAC- FITO. Mestre em Fonoaudiologia pela PUC/SP, especialista em voz pelo CEV, aperfeiçoamento em Processamento Auditivo Central e em fonoaudiologia hospitalar pelo Hospital do Servidor Público Estadual. Graduada pela Universidade Bandeirantes de São Paulo em 2000. Vencedora de melhor trabalho em atuação com professores com distúrbios vocais no Congresso Internacional de Portugal em 2007. www.oliveiraluciana.com.br / fonoluciana@hotmail.com

luciana Fono

Luciana Vieira Dias Alves de Oliveira

 

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