ATENÇÃO

Maria Adrielle Vicente

– Atenção! Preste atenção! Muita atenção!

Essas são expressões muito comuns nos dias de hoje, mas será que falta atenção? As pessoas não prestam mais atenção?

Atenção pode ser definida pela capacidade de selecionar e manter um foco, proveniente de um determinado estímulo ou informação, entre os vários que obtemos por meio de nossos sentidos, memórias armazenadas e outros processos cognitivos.

Estímulos sonoros, luminosos ou olfativos, movimentos de objetos, mudança de ambiente são capazes de chamar a atenção de um bebê de forma automática. O mecanismo atenção é primitivo, involuntário e permanece conosco durante todo nosso desenvolvimento.

Imagine uma gama de estímulos vindos de diferentes fontes a todo tempo. Enlouquecedor, não? Para evitar uma desorganização funcional, nosso organismo faz uma seleção instintiva de estímulos para orientar e definir em qual deles podemos e devemos focar a atenção. A partir dessa atenção involuntária, inicia-se o processo de desenvolvimento da atenção voluntária, que está vinculada à conscientização do direcionamento da atenção.

Como uma função cognitiva complexa, a atenção é passível de treinamento e melhora se praticada intencionalmente. Nesse sentido se faz necessária e torna-se também imprescindível que a atenção seja estimulada rotineiramente, desde a infância, com o auxilio de jogos, brincadeiras, desenhos. Diversificar as atividades propostas para crianças é uma das estratégias interessantes para fixar a atenção, pois a rotina quando automatizada pode passar a ser desestimulante, dispersando o interesse e, consequentemente, diminuindo a atenção.

A atenção infantil é condição essencial para a maturidade escolar. Crianças de 3 anos são capazes de fixar a tenção numa atividade interessante durante, aproximadamente, 25 minutos. Depois desse período se distraem com grande facilidade. Com 5 ou 6 anos de idade a capacidade de concentração pode até triplicar.

Dados neurocientíficos ajudam a explicar porque isso acontece. A região pré-frontal é conhecida como um centro executivo. Essa estrutura, responsável pela nossa consciência e motivação, tem a sua maturação lenta e gradativa, acontecendo com o passar dos anos. O desenvolvimento completo dessa área cerebral ocorre por volta dos 18 anos de idade, ou seja, durante toda infância e adolescência nosso “centro atencional” está sob processo de desenvolvimento.

Na escola aumenta a exigência no que se refere à atenção do aluno: escutar, olhar, se posicionar… Nos anos mais avançados: escrever, interpretar, criticar… Mais tarde: memorizar, relacionar, ressignificar informações… Se a ideia for fazer com que a atenção do aluno se mantenha, é importante se voltar para o papel do professor. Um bom planejamento pedagógico, a criação de ação direta com o objeto e com os pares, uma interação denotada de significância para a criação, podem proporcionar entretenimento. Uma proposta que venha a somar ao repertório de impressões, percepções e relacionamentos do aluno é muito positiva. Vincular novidades a conhecimentos prévios e mediar o processo de desenvolvimento da atenção, estimulando e incentivando as crianças a conhecerem melhor o contexto em que estão inseridas, são atitudes fundamentais para o sucesso no aprendizado. Essas são práticas que ajudam a prender a atenção do aprendiz.

O fato das crianças fazerem várias coisas enquanto estudam, como por exemplo: ouvir música, usar o celular ou assistir TV, não quer dizer que elas não se concentram. Pais e professores acabam acreditando que isso pode afetar negativamente o aprendizado escolar e, muitas vezes, confundir essa facilidade – que é fruto da sociedade cibernética, com algumas patologias específicas relacionadas à atenção. Na maioria das vezes o problema de atenção é causado por cansaço físico ou mental e atividades físicas e práticas de esportes são capazes de reverter esse quadro, reestabelecendo a capacidade de atenção tanto em crianças quanto em adultos.

Sugestões de brincadeiras: Contar histórias, Jogo da memória e uso de games.

Autora: Maria Adrielle Vicente – Graduada em Ciências Biológicas pela UNESP, Mestra e Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP. Pós-doutoramento concluído no laboratório de Neuropsicofarmacologia, UNESP. Atua no setor de pesquisa e elaboração de projetos educacionais voltados para a aprendizagem socioemocional, autoconhecimento e neurociência.

MariaAdrielleVicente

Fontes:

VIGOTSKI, L. S. A psicologia e a pedagogia da atenção. In: VIGOTSKI, L. S. Psicologia Pedagógica. São Paulo: Martins Fontes, 2001. p. 149-180.

Richards JE. Development of attentional systems. In: De Haan M, Johnson MH, eds. The cognitive neuroscience of development. New York, NY: Psychology Press; 2002.

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