Por que ler Contos de Fadas?

Patrícia de Souza Marques

“Há muito tempo…” ou “Era uma vez…” – assim começam histórias de encantamento e magia.

A leitura é um meio importante para a construção de novas aprendizagens e um caminho para o desenvolvimento da imaginação. Em casa, na escola e nos mais variados espaços pelos quais a criança circula, as histórias podem oferecer uma infinidade de descobertas e viagens, para a compreensão de mundos reais ou imaginários, de tempos próximos ou distantes.

Na escola, pelas mediações realizadas pelo professor, a criança aperfeiçoa a leitura, ganha fluência e abre portas para um percurso infinito de descobertas e de compreensão do mundo. Em casa, com os pais ou outro adulto leitor, ela se aproxima do universo literário e começa a organizar um repertório de histórias e procedimentos para poder adentrar, cada vez mais, nos contos, poemas e demais gêneros. Ler deve ser uma forma de entretenimento, um momento de prazer entre pais e filhos ou professores e alunos.

Os contos de fadas transmitem importantes mensagens não só para as crianças. Neles, encontramos o feio e o belo, o bom e o mau, o esperto e o bobo, o trabalhador e o preguiçoso. Por meio das atitudes e comportamentos dos personagens, a criança vai entendendo que há diferenças entre as pessoas, inclusive em uma mesma família, e que são possíveis uma diversidade de modos de atuação e vivências de sentimentos. Contos divertem, ensinam e favorecem o desenvolvimento da criança. Além disso, permitem-lhe  a fruição do imaginário, a ampliação da curiosidade e o desenvolvimento de formas para lidar melhor com dilemas, decepções e angústias.

As histórias encantam pelo prazer de transformar os sentimentos, transportar pensamentos, elevar os sonhos e a magia. Como nos diz Rubem Alves no texto abaixo:

“Para quê uma história? Quem não compreende pensa que é para divertir. Mas não é isso. É que elas têm o poder de transfigurar o quotidiano. Elas chamam as angústias pelos seus nomes e dizem o medo em canções. Com isto, angústias e medos ficam mais mansos. Claro que são para crianças. Especialmente aquelas que moram dentro de nós, e têm medo da solidão…” (Rubens Alves, 2003)

Porém, para despertarmos todo esse interesse e obter resultados significativos, o leitor mediador deve contar as histórias, com sentimento e encantamento, de maneira que a curiosidade e a fantasia da criança sejam despertadas. Claro que, dependendo das circunstâncias do ouvinte ou leitor, como: experiências anteriores com livros, estímulos recebidos, frequência a salas de leitura ou bibliotecas, teremos diferentes interesses e diferenças na compreensão e na capacidade de aproveitamento. Por isso, é necessário que a leitura seja oferecida, tanto para leitores mais vorazes, como para os iniciantes, com o mesmo cuidado, com procedimentos que favoreçam uma apropriação legítima e prazerosa deste instrumento.

A leitura propicia, ainda, o desenvolvimento das habilidades linguísticas e cognitivas. Mas, vale lembrar que a literatura não tem como única função, educar.  Certamente, aprendemos ao ler, mas este não deve ser o objetivo exclusivo da leitura!  Possibilitar um apreço pelas histórias, o contato com valores universais, o acesso a lugares e experiências diversas, a clareza na escolha do que se pretende ler, e a criação de um lugar afetivo trazido pela leitura de um título são os aspectos fundamentais para o desenvolvimento saudável de uma criança.

Educar é preparar para a vida e, nesse sentido, auxiliar a criança a encantar-se com as histórias, obter informações por meio de uma leitura científica e enriquecer seu repertório, ampliando as possibilidades de ser e estar no mundo, são oportunidades oferecidas pela leitura.  Leia para seu filho, viaje com ele, vá para um lugar mágico, onde tudo é possível, o mundo da imaginação.  Faça desse momento, um momento especial de carinho e trocas de experiências.

Com certeza ele pedirá:

–  Conte outra vez!!!!

Sugestão de Atividades: Leia toda noite uma história diferente para seu filho. Presenteie-o com um livro e reforce que irão ler juntos. Visite livrarias. Aproveite ao máximo esse momento de interação.

 

patriciam

A autora, Patrícia de Souza Marques, é educadora há dez anos. Formada em Letras, pós-graduada em Educação Infantil, aluna de Psicopedagogia da PUC-SP, Contadora de Histórias e voluntária na Instituição Viva e Deixe Viver, participante do grupo de estudos Projeto Cuca-Legal/Unifesp. Colaboradora http://mindseteducation.com.br/

Bibliografia:

BETTELHEIM, Bruno. A Psicanálise dos contos de fadas. Tradução Arlene Caetano. 16ª edição. Rio de Janeiro. Paz e Terra, 1980.

ALVES, Rubens. As mais belas histórias de Rubens Alves. Lisboa. Edições Asa, 2003.

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