Funcões Executivas: sim, é possível praticá-las!

Maria Adrielle Vicente

A Neurociência e as Funções Executivas

A Neurociência é um campo vasto e complexo do estudo do cérebro que está intrinsicamente ligado a outras áreas que também buscam conhecer o funcionamento do nosso corpo. O cérebro é responsável pela forma como processamos as informações, portanto, compreender seu funcionamento e as estratégias que favorecem seu desenvolvimento torna-se interesse dos educadores – professores, gestores, pais e outros. Um bom exemplo da contribuição da neurociência está no entendimento sobre as funções executivas.

Funções executivas são habilidades cognitivas necessárias para controlar e regular nossos pensamentos, emoções e ações. Quando praticadas intencionalmente, por meio de exercícios e jogos, possibilitam a criação de uma trajetória para o êxito.

Quatro categorias compõem esse conjunto de habilidades – o controle inibitório, definido como a inibição da resposta impulsiva ou automatizada; a atenção, definida como a capacidade de manter ou mudar o foco em uma determinada tarefa; a memória de trabalho, definida como o armazenamento e a atualização das informações e a flexibilidade cognitiva, definida como a agilidade em alternar as perspectivas ou o foco de atenção para ajustar-se a novas exigências ou prioridades.

O bom funcionamento executivo reflete diretamente no desempenho escolar e no bem-estar social.

Sugestão de atividade: Praticando habilidades para a atenção e memória

Ande e Pare

Antes de iniciar a brincadeira explicar as regras: enquanto houver música tocando as crianças circularão livremente pelo espaço da quadra, sem conversar ou esbarrar nos colegas. Assim que a música parar, os alunos deverão parar imediatamente e permanecer em silêncio. Desafios podem ser apresentados quando o professor aumentar progressivamente o tempo de espera do grupo ou diminuir progressivamente o volume da música.

A autora, Maria Adrielle Vicente, é graduada em Ciências Biológicas pela UNESP, Mestra e Doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto – USP. Pós-Doutoramento concluído no laboratório de Neuropsicofarmacologia, UNESP. Atua no setor de pesquisa e elaboração de projetos educacionais voltados para a aprendizagem socioemocional, autoconhecimento e neurociência. Integra a equipe  Mindset Education. http://afterschool.net.br/    http://mindseteducation.com.br/

MariaAdrielleVicente

Fontes:

http://www.enciclopedia-crianca.com/sites/default/files/dossiers-complets/pt-pt/funcoes-executivas.pdf

https://www.york.ac.uk/res/wml/St-Clair-Thompson,%20gathercole.pdf

A Disfluência, parte I

A gagueira é uma dificuldade da fala que pode ocorrer durante a infância, aproximadamente dos 3 aos 6 anos. Muitos pais sentem-se aflitos ao escutar seu filho repetir sílabas, palavras ou até realizar alguns bloqueios e tensões durante a fala. A gagueira pode ser passageira e ter recuperação espontânea durante o desenvolvimento da linguagem. No entanto, é importante saber como conduzir e agir com nossos pequenos durante este período.

Como surge a gagueira (disfluência)?

Luciana Vieira Dias Alves de Oliveira, Fonoaudióloga

Desde o nascimento, a criança comunica-se com o mundo que a cerca. A princípio, tem apenas o choro para satisfazer suas necessidades. Aos poucos, começa a brincar com sons, emitir pequenas palavras e imitar as pessoas ao seu redor. Usa uma ou duas palavras para nomear um objeto ou descrever uma situação concreta até começar a formar frases cada vez mais complexas.

Cada criança tem seu ritmo para aprender a falar. Algumas, mais falantes e ativas, podem adquirir vocabulário, regras gramaticais e aprender os sons de sua língua mais depressa do que outras. De maneira geral, esse processo é bastante complexo uma vez que os movimentos da fala são os mais finos que o corpo humano realiza e o aparecimento de bloqueios ou hesitações pode ser absolutamente natural. Essa hesitação evidencia o processo que a criança realiza para poder comunicar-se: ela tem em mente uma idéia ou a imagem de uma situação e busca palavras, elabora frases, procurando tornar sua comunicação compreensível ao ouvinte. Isso envolve a habilidade para articular as palavras apropriadas, além do componente emocional que existe em qualquer relação interpessoal.

Entretanto, em alguns momentos ou período do desenvolvimento da linguagem a criança pode passar pelo que chamamos de “gagueira de desenvolvimento”. Isto faz com que ela repita silabas, palavras ou prolongue sons de maneira que incomoda os pais ou pessoas que convivem com ela. Eles passam a ouvi-la com ansiedade, e por vezes sugerem certos comportamentos que, acreditam beneficiá-la como: “fale devagar”, “pense antes de falar”, “respire fundo”, “repete tudo porque não entendi”, “calma”.  Ou pior, fazem críticas severas, imitações, colocam apelidos e completam frases.

Diante a estes comportamentos o que poderia ser uma gagueira de desenvolvimento, ou seja, desaparecer e ter uma recuperação espontânea pode tornar-se uma gagueira persistente e permanecer até a vida adulta.

A criança começa a acreditar que a maneira como ela fala não é aceitável. Não consegue perceber onde erra e, como resultado começa a desenvolver uma tensão crescente, com esforços para falar “certo”. Quanto mais sentir-se tensa e tentar fazer “coisas especiais” para falar, mais as pessoas – ela – avaliarão esta conduta como falar errado. A criança então começa a tomar cuidado, falar mais devagar, esforçar-se bastante para dizer as palavras. Se sentir que vai repetir ou prolongar um som, simplesmente pode deixar de dizê-lo e assim evitar a comunicação com seus colegas, professores e pais. É visível aos ouvintes que a criança está tensa e luta enquanto fala. Este comportamento tenso é uma maneira de lidar com a gagueira. A idéia de que ela fala mal e precisa esforçar-se para dizer algo se torna presente. Com isso podem surgir tiques, tremores e movimentos corporais, como bater os pés, virar o pescoço, pressionar lábios, piscar os olhos entre outros, além de truques para disfarçar a gagueira.

A fala que, antes era  um comportamento espontâneo e prazeroso passa a  tornar-se um ato de sofrimento. A criança pode tornar-se angustiada e evitar situações em que tenha que se expressar em público ou compartilhar opiniões. Devemos ter em mente que se a gagueira tornar-se uma preocupação, a cada nova situação a idéia de que o indivíduo não é capaz de falar bem, confirma a presença de sua inabilidade articulatória e antecipa a ocorrência de novas falhas. Passa a planejar uma atividade que seria espontânea e, com isso, acrescenta uma tensão desnecessária e prejudicial ao ato de falar. Novamente ressalta-se a possibilidade da gagueira de desenvolvimento, o que poderia permanecer apenas durante um período da infância tornar-se uma gagueira persistente.

Que fatores contribuem para agravar o problema?

A gagueira é uma desordem multidimensional – interação de fatores biológicos, psicológicos e sociais. A princípio podemos dizer que pode haver maior ou menor possibilidade individual de tornar-se gago que será atenuada ou reforçada pelo ambiente. Pais que não têm uma aceitação natural e são exigentes sobre a forma como o filho se expressa, em geral, reagem com ansiedade e temor às primeiras hesitações. Ou então, famílias que têm uma dinâmica conturbada, passando por períodos de grandes conflitos entre seus membros, com divergência de opiniões e valores. Ou ainda, famílias que possuem membros gagos e, ao menor sinal já se preocupam com a possibilidade da criança ter herdado o problema. Entretanto, crianças com famílias bem estruturadas podem ser extremamente sensíveis, inteligentes e auto-exigentes. Às vezes, assumem mais responsabilidades do que seria adequado à idade ou fazem comparações com irmãos mais velhos, que apresentam habilidade em alguma atividade, com conclusões negativas a seu respeito.

Do acúmulo desses vários fatores, o que poderia ser um período de insegurança passageiro, vai se solidificando. A imagem que um indivíduo constrói a seu respeito é formada pelas experiências de prazer e frustração vividas na infância. Se suas experiências de angústia forem mais fortes, o que poderia ser uma gagueira de desenvolvimento infantil, pode  transformar-se em gagueira persistente, o que podemos considerar que não seja mais um processo normal, mas um fator agora preocupante.

Agora, como ajudar a criança? Fiquem de olho, no artigo da próximo semana, Luciana Oliveira vai explicar e dar dicas de como melhorar a gagueira. Não perca o segunda parte neste artigo!

Luciana Vieira Dias Alves de Oliveira, fonoaudióloga educacional e com atuação clínica em distúrbios da voz, fala, processamento auditivo central e distúrbios de leitura e escrita. Ministra cursos e palestras de formação para professores de Educação Infantil e profissionais que atuam com a comunicação e expressividade vocal. Docente do curso de licenciatura em música e Pedagogia da FAC- FITO. Mestre em Fonoaudiologia pela PUC/SP, especialista em voz pelo CEV, aperfeiçoamento em Processamento Auditivo Central e em fonoaudiologia hospitalar pelo Hospital do Servidor Público Estadual. Graduada pela Universidade Bandeirantes de São Paulo em 2000. Vencedora de melhor trabalho em atuação com professores com distúrbios vocais no Congresso Internacional de Portugal em 2007. www.oliveiraluciana.com.br / fonoluciana@hotmail.com

luciana Fono

Por que as crianças precisam aprender a nomear emoções?

Sandra Vasques de Araujo

A importância de Nomear Emoções

Estudos atuais das Neurociências apontam que, para o pleno desenvolvimento  da  criança,  nos  diferentes  ambientes  pelos  quais  circula,  além  das  competências  cognitivas,  devem ser trabalhadas também as competências socioemocionais ou não cognitivas. As crianças lidam diariamente com muitas  emoções.  Sentem  raiva,  alegria,  tristeza,  frustração  e  reagem  a  esses  sentimentos de muitas maneiras –ficam eufóricas, gritam, ficam bravas e, por vezes, o fazem de maneira inapropriada. Vale dizer que todas as emoções são constitutivas dos seres humanos. Sem elas, não teríamos evoluído ou sobrevivido em outros tempos históricos.

A  necessidade  de  saber  identificar,  reconhecer,  entender  e  comunicar  as  emoções  é  bastante  destacada  no  trabalho  com  as  competências socioemocionais e tais habilidades são muito importantes para o processo de desenvolvimento saudável e integral das crianças. Essas emoções interferem na vida delas, mas, quando devidamente reconhecidas e nomeadas, além de  percebidas entre elas mesmas e adultos, as auxiliam a se relacionar  consigo  mesmas e com os demais de maneira menos conflituosa.

Pais e professores  podem e devem auxiliar a criança a expressar seus sentimentos, todos e qualquer um deles. É necessário criar oportunidades para  que  os  identifiquem e nomeiem em si  próprios  e  nos  colegas,  para  quebrar  paradigmas  impostos e possibilitar um processo  de amadurecimento mais efetivo. Conversar com as crianças sobre sentimentos ou sobre  uma  atitude que reconheçam como positiva e da qual se orgulhem, proporciona um espaço de validação para que a criança passe a agir mais tranquilamente durante esse  processo.

Encorajar a criança a falar sobre seus próprios sentimentos, ao invés de reagir a eles julgandoos, é fundamental. Apoiá­la, enquanto está  se manifestando, ensinando novas maneiras de se expressar e novas estratégias como, afastarse do conflitou ou pedir o auxílio de um adulto, devem ser desenvolvidas. Incluir  respiração  abdominal,  pedir  ou  oferecer  um  abraço  quando  ela  está  triste,  agitada  ou  eufórica,  também  são  exemplos de  estratégias  protetoras  para  a  criança.

Utilizar  uma  lista  de  palavras  que  amplie  as  possibilidades  de  expressão  da criança é útil no sentido de construção conjunta de um repertório que auxilie a  adequada expressão de sentimentos, criando um espaço de apoio, harmonia e saúde. Desta maneira, por exemplo, além de dizer que está triste ou brava, a criança poderá usar as seguintes palavras para melhor descrever o que sente:impaciente, com raiva, ansiosa, tensa,  desconfortável, solitária, envergonhada,  frustrada  ou  desapontada.  Para  situações  nas  quais  está  se  sentindo  muito  feliz  ou  alegre:  satisfeita,  orgulhosa,  aliviada,  triunfante,  eufórica,  animada,  entre tantas outras.

Quando  as  crianças  entendem  as  emoções  e  as  comunicam  de  maneira  assertiva  e  eficiente,  elas  podem  e  conseguem,  ao  reconhecê­las,  escolher  melhores  estratégias  para resolver  problemas  e  lidar  com  eventos  negativos,  ou  positivos,  desenvolvendo,  gradualmente,  a  percepção  sobre  a  perspectiva  do outro.

Sugestão de atividade:

Para  as  crianças  menores,  apontar  figuras  com  imagens  de  crianças  felizes,  tristes,  zangadas,  vibrantes  e  procurar  relacioná­las  a  possíveis contecimentos é uma maneira de colocá­las em contato com os sentimentos  próprios  e  de  outros. Empregar  palavras  que  a  criança  possa  entender,  usar  filmes  e  livros  também  são  boas  maneiras  de  desenvolver  um  trabalho  produtivo.

Autora: Sandra Vasques de Araujo Graduada em Pedagogia, Psicopedagogia e Pósgraduada em  Gestão  e  Currículo,  atua  na  Educação  há  34  anos,  nos  segmentos  da  Educação  Infantil,  Ensino  Fundamental  I  e  II.  Paralelamente,  atende  crianças  e  adolescentes  com  dificuldades  de  aprendizagem,  além  de fazer orientação de pais, supervisão de educadores e grupos de estudo sobre  diferentes  temas. Como  formadora  de  professores  e  gestores  trabalhou  junto  ao  CENPEC,  Fundação  Lemann,  Instituto  Vila  Educação  e  Instituto  Singularidades Integra a equipe Mindset Education. http://mindseteducation.com.br/ http://afterschool.net.br/

SandraVasques

Fontes:

http://csefel.vanderbilt.edu/documents/teaching_emotions.pdf (2016-06-09)

http://www.child­encyclopedia.com/sites/default/files/docs/coups­oeil/emotions­info.pdf (2016-06-09)

Prevenção na primeira infância

Dra. Viviane Cabral CRO:78026  Odontopediatra e Ortodontista

A prevenção na primeira infância é de extrema importância. Nós odontopediatras, indicamos a primeira ida ao dentista a partir do nascimentos dos primeiros dentes para uma avaliação completa e orientação aos pais e criança sobre a melhor técnica de escovação para a criança,  uso do fio dental, o melhor tipo de escova e creme dental para cada idade, orientação sobre alimentos não saudáveis a saúde bucal e avaliação ortodôntica precoce.

A consulta preventiva tem como objetivo prevenir a instalação da cárie ou doenças de gengiva. Nesta consulta fazemos a profilaxia e aplicação tópica de flúor, removendo com isso a placa bacteriana e fortalecendo o esmalte.

A indicação para cada criança é de uma forma, em geral a prevenção é feita a cada 6 meses. Para crianças com alto risco de cárie, alterações no esmalte ou crianças portadoras de alguma deficiência ou alteração de saúde específica indicamos a prevenção a cada 3 meses.

Nosso objetivo é prevenir para não tratar e levar a criança a um índice zero de cárie. A ida ao odontopediatra desde cedo gera bons hábitos desde cedo.

A consulta que realizamos é composta de um condicionamento de forma lúdica e interativa através de fantoches, desenhos em DVDs, brincadeiras e estímulo deixando a criança e os pais a vontade e satisfeitos para um acompanhamento periódico.

Dra. Viviane Cabral Santiago Formada em 2002 na Unisa (Osec). Especialista em Odontopediatria pela APCD (gestantes, bebês, crianças e adolescentes). Especialista em ortopedia funcional dos maxilares e Ortodontia pela APCD. Dona da empresa Clínica Integrada Viviane Cabral dravivianecabral@uol.com.br Facebook: Clínica Integrada Viviane Cabral e Instagram: Viviane_Cabral_Odontologia

DraViviane

Aprendizagem na Primeira Infância

Juliana Antola Porto

A aprendizagem nos primeiros anos de vida constitui a base que permitirá todo o desenvolvimento posterior.

O cérebro começa a se desenvolver nas primeiras semanas da gestação, com a formação das células primordiais que darão origem aos chamados neurônios, e das conexões entre os neurônios denominadas sinapses. A estrutura do cérebro é altamente complexa, formada por uma extensa rede de circuitos dos neurônios e seus prolongamentos entre as diversas regiões cerebrais. O processo de desenvolvimento e amadurecimento é contínuo durante toda a infância e adolescência e, para determinadas regiões cerebrais somente se completará no início da idade adulta. Mas, mesmo após o período de maturação, o cérebro continua a se modificar!

Um conceito fundamental em neurociência é o da Plasticidade Cerebral. “Plastos” deriva do grego e significa moldado, que tem capacidade de mudar de forma. O cérebro é um órgão em constante remodelamento em resposta às experiências. Durante toda a vida podemos produzir novas sinapses. As sinapses mais utilizadas se fortalecem, enquanto as que não são utilizadas tendem a enfraquecer, sofrendo a chamada poda sináptica. A formação de novas sinapses e os processos de poda, além de outros mecanismos, estão agrupados no conceito de Plasticidade. Há uma distinção entre a plasticidade que existe durante toda a vida, que é influenciada pela experiência – aprendizagem dependente de experiência – e a que ocorre nos primeiros anos, que necessita de experiência para começar a se desenvolver – aprendizagem expectante de experiência.

FormacaoNovasSinapses

A Primeira Infância, fase compreendida entre 0 a 6 anos é um período crucial de profunda remodelação cerebral. Nessa fase ocorrem os chamados Períodos Sensíveis: momentos nos quais circuitos cerebrais específicos para formação de determinadas habilidades têm maior plasticidade e melhor resposta à determinada experiência ambiental. É o que acontece com a visão e a audição, por exemplo, que necessitam da exposição ao estímulo luminoso e sonoro respectivamente para que as áreas cerebrais responsáveis pelo processamento sensorial se desenvolvam. Por exemplo, a ocorrência de fatores que impeçam ou atrapalhem a visão do bebê, como a catarata congênita, deve ser tratada no início da vida para permitir que a plasticidade cerebral na área da visão seja o mais efetiva possível.

Quanto à linguagem, sabemos que os bebês nascem com a capacidade de distinguir os sons de todas as categorias fonêmicas existentes. Ao longo do primeiro ano de vida, em função dos sons dos idiomas aos quais os bebês são expostos, a capacidade de discriminação fonêmica universal vai se especializando. Para a pronúncia e proficiência gramatical o período sensível se estende até a adolescência. Há evidências extensas que apontam que o desenvolvimento da linguagem na primeira infância é base para o aprendizado pleno da língua posteriormente e está diretamente relacionado ao sucesso na alfabetização e no desempenho escolar.

As funções cognitivas mais complexas, como atenção, memória e raciocínio, por exemplo, também começam a se desenvolver na primeira infância, por meio de habilidades como: controle de impulsos, capacidade de redirecionar atenção e de memorizar regras. Os circuitos cerebrais responsáveis por tais funções são refinados durante adolescência até o início da vida adulta, mas as conexões fundamentais começam a se estabelecer ainda nos primeiros anos de vida.

Portanto, muito antes de a criança entrar na escola, ela aprende em todos os contextos de seus relacionamentos afetivos: em casa com os pais e cuidadores, nos ambientes de educação infantil, nos locais de recreação. A criança está sempre aprendendo!

Os períodos sensíveis são momentos que permitem a construção ótima de habilidades, mas também representam uma janela de vulnerabilidade a potenciais efeitos nocivos do meio. Na primeira infância a estrutura cerebral é altamente receptiva e a ausência de estímulos adequados, ou a ocorrência de estímulos negativos, podem deixar marcas duradouras. Uma famosa metáfora para ilustrar o desenvolvimento desse processo compara a construção da arquitetura do cérebro com a arquitetura de uma casa. Durante os primeiros anos de vida ocorre a formação da base, dos alicerces, da fundação e do piso de uma casa. A partir de uma estrutura sólida e firme podem, então, ser construídas as paredes, as aberturas e o teto, dando funcionalidade à casa. Se desde a fundação da obra houver irregularidades, com falhas e defeitos não corrigidos, todas as etapas da construção a seguir também serão prejudicadas. Ademais, o custo para se corrigir esses defeitos e o tempo necessário para arrumar as falhas são mais altos e mais difíceis quanto mais avançada estiver a obra. Por outro lado, se as correções de problemas forem realizadas ainda na construção da base, o resultado final poderá ser o mais próximo do desejado possível. Assim, as capacidades que começam a se desenvolver ao longo dos primeiros anos são pré-requisitos fundamentais para o sucesso ao longo de toda a vida, na escola, no trabalho e tem repercussão para toda a sociedade.

A promoção do desenvolvimento integral saudável, com nutrição e cuidados de saúde adequados, ambiente familiar afetivo, seguro e estimulante, relações estáveis e incentivadoras, além da oferta de educação de qualidade, fornecem o alicerce para que cada criança viva bem no presente e alcance seu potencial pleno no futuro.

Na Primeira Infância, toda a aprendizagem acontece por meio das relações que a criança experiencia. Os cuidadores devem estar atentos e devem dispender TEMPO interagindo com as crianças. Não é necessário que se invista em tecnologias, brinquedos e materiais dispendiosos. As crianças aprendem através de brincadeiras desafiantes e prazerosas, por experiências que estimulem seus sentidos e em contextos nos quais se sintam atendidas, protegidas e amadas.

Autora: Juliana Antola Porto é Médica Neuropediatra e Mestre em Neurociências pela PUCRS, foi visiting scholar no Programa de Mente, Cérebro e Educação da Harvard Graduate School of Education e research fellow do Laboratório de Neurociências Cognitivas do Boston Children’s Hospital, Harvard Medical School. É membro do Comitê Científico do Núcleo Ciência pela Infância. Integra a equipe Mindset Education. http://mindseteducation.com.br/

http://afterschool.net.br/

JulianaAntola

Fontes:

FMCSV:

http://www.fmcsv.org.br/

http://www.fmcsv.org.br/pt-br/acervo-digital/Paginas/o-impacto-no-desenvolvimento-da-primeira-infancia-sobre-a-aprendizagem.aspx

Center of the Developing Child-Harvard http://www.developingchild.harvard.edu/resourcecategory/portuguese-resources/

Teste a qualidade da escola do seu filho com o checklist ANE

A escola do seu filho é segura? Possui um sistema de educação adequado à idade de cada criança? Utilize a checklist abaixo para conferir se a escola do seu filho cumpre algumas das diretrizes seguidas pelo selo ANE – Acreditação Nacional Escolar, a primeira e única selo de qualidade para escolas infantis no Brasil.

Todos nós concordamos, não existe nada mais importante em nossas vidas que os nossos filhos! Acreditamos que todas as escolas deveriam ser escolas ANE, todas as crianças têm o direito de passar os primeiros anos de vida, moldadas, dentro de um ambiente escolar seguro, pró ativo e de alta qualidade.

Conferir a segurança e qualidade na sua escola com nossa checklist ANE e peça para a diretora a entrar em contato com ANE.

Só clica na imagem, imprimir e usar! Porque seu filho merece o melhor!

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Competências Acadêmicas X Socioemocionais

Leticia Guimarães Lyle, Diretora Pedagógica

Tem sido frequente a discussão de que na escola devem ser trabalhadas não apenas as competências acadêmicas, mas também as competências Socioemocionais como forma de potencializar a aprendizagem dos alunos.

Atualmente existem alguns programas voltados para esse ensino no Brasil e no mundo. Iniciativas nacionais começam a levar esses programas para escolas particulares, municipais e estaduais em projetos que visam melhorar as competências cognitivas e não cognitivas dos alunos e prepará-los para enfrentar plenamente o Século XXI.

A seguir estão descritas algumas dessas competências e o que elas favorecem em relação às aprendizagens de crianças e jovens.

Autoconhecimento é a capacidade de reconhecer sentimentos, interesses e pontos fortes, e manter um bom nível de eficiência pessoal. Reconhecer dificuldades e facilidades (Payton et al., 2000) e posicionar-se em relação a isso influencia escolhas acadêmicas e a persistência para superar dificuldades.

Autocontrole permite a indivíduos lidar com situações de stress diárias e controlar suas emoções em situações difíceis. Essa capacidade de regular emoções impacta a memória e os recursos cognitivos utilizados em tarefas acadêmicas.

Sociabilidade permite que os indivíduos levem em consideração perspectivas alheias e sejam empáticos com outras pessoas. Alunos com habilidades sociais são mais propensos a apreciar diferenças e semelhanças nos outros.

Competências de Relacionamento permitem que alunos desenvolvam e mantenham relacionamentos saudáveis com outros, incluindo as habilidades de resistir a pressões sociais negativas, resolver conflitos interpessoais e buscar ajuda quando necessário.

Tomada de Decisões com Responsabilidade permite que alunos pensem sempre em múltiplos fatores, tais como: valores éticos, respeito e segurança (física e emocional) na tomada de decisões.

Brincadeira : O que ensino a um colega? E o que aprendo com ele?

Realizar, coletivamente e sob a supervisão da professora, uma lista com brincadeiras sugeridas por cada criança. Depois, sorteia-se o nome de uma criança da sala. A criança chamada deverá escolher um jogo da lista que queira aprender. O colega que nomeou o jogo ensinará aos colegas, a brincadeira. Depois, ele pedirá a outro colega que faça o mesmo. E assim, sucessivamente, até que todos tenham ensinado sua brincadeira e aprendido outra.

Autora: Leticia Guimarães Lyle é a Diretora Pedagógica do AfterSchool Educação, mestra em Desenvolvimento de Currículo e Educação Inclusiva com especialidade em Competências Socioemocionais pelo Teachers College da Columbia University. É sócia fundadora do Mindset Education, grupo que trabalha com projetos educacionais, atualização de currículo e formação de professores. Responsável pela adaptação do Programa Compasso Socioemocional e coordenadora de curso de Pós Graduação do Instituto Singularidades.

Leticia Lyle

Fontes

Porvir: http://www.porvir.org/especiais/socioemocionais/     (2016-05-05)

CASEL: http://www.casel.org/social-and-emotional-learning/core-competencies/     (2016-05-05)

Fluorose

Dra. Viviane Cabral CRO:78026  Odontopediatra e Ortodontista

Distúrbio que ocorre durante a formação dos dentes permanentes até os 6 anos de idade. É causada pelo excesso de ingestão de flúor através de ingestão de água de abastecimento público, gel dental e suplementos fluoretados , menos utilizados hoje em dia. É percebida somente quando os dentes definitivos nascem, apresentando estrias esbranquiçadas ou acastanhadas em sua superfície.

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O novo protocolo adotado atualmente após muitas discussões e estudos permite o uso do creme dental com flúor de 1.000 a 1.100 ppm em bebês em duas escovações diárias, de manhã e antes de dormir, na quantidade de meio grão de arroz cru em crianças com até oito dentes e um grão de arroz cru em criança com mais de oito dentes.

Para crianças de 4 a 7 anos de idade é indicado gel dental com flúor contendo os mesmos 1.000 a 1.100 ppm de flúor do bebê, mas na quantidade de um grão de ervilha. Nesta idade são  indicadas   três escovações, de manhã, a tarde e antes de dormir. Estudos científicos comprovam que o uso de flúor nas quantidades citadas para determinadas idades é seguro.

É importante que os adultos supervisionem o momento da escovação para evitar o uso incorreto do gel dental, e nas escolas é importante orientar professores e auxiliares sobre o correto uso do creme dental para cada idade e quantidade a ser utilizada.

Dra. Viviane Cabral Santiago Formada em 2002 na Unisa (Osec). Especialista em Odontopediatria pela APCD (gestantes, bebês, crianças e adolescentes). Especialista em ortopedia funcional dos maxilares e Ortodontia pela APCD. Dona da empresa Clínica Integrada Viviane Cabral dravivianecabral@uol.com.br Facebook: Clínica Integrada Viviane Cabral e Instagram: Viviane_Cabral_Odontologia

DraViviane

Competências Socioemocionais – afinal, o que são? PARTE 1

Leticia Guimarães Lyle, Diretora Pedagógica

Iniciamos hoje uma série de textos para pais e professores escritos pela um equipe de educadores e pesquisadores especializados em desenvolvimento e educação socioemocional de crianças.

Muito se tem falado atualmente sobre as Competências Socioemocionais. Sabe-se que, aliadas às competências cognitivas, formam as ferramentas – ou habilidades – que o indivíduo utiliza para interagir com o mundo.

Uma competência pode ser definida como conjunto de esquemas de percepção, pensamento, avaliação, ação e adaptação que permite a uma pessoa acessar os mais variados recursos mentais de forma crítica e inovadora no momento e do modo necessário para executar uma tarefa. Estudos sobre a importância das competências socioemocionais feitos nas últimas décadas e em pesquisas recentes apontam que o desenvolvimento das habilidades sociais nos alunos potencializa e amplia seus resultados acadêmicos (Durlak, 2011), além do seu relacionamento na escola e em casa.

Estas competências podem ser aprendidas, praticadas e ensinadas. Para isso, é necessário que um conjunto de habilidades, comportamentos e atitudes seja desenvolvido. Desta forma, por exemplo, uma habilidade, como focar a atenção, pode contribuir para o desenvolvimento das competências de Autoconhecimento, Autorregulação, Sociabilidade, Competências de Relacionamento e Tomada de Decisões com Responsabilidade, descritas de acordo com o CASEL – Collaborative for Academic, Social and Emotional Learning, grupo que reúne pesquisas e iniciativas no assunto.

Sugestão de atividade:

Praticando habilidades de expressão – Ensinar a criança a observar e descrever situações ajuda na nomeação de emoções e sentimentos.

Usando dois bichinhos de pelúcia da criança, dramatizar uma cena em que um deles está muito triste com algo que aconteceu na escola. Descrever a cena junto com a criança, e demonstrar a escuta atenta ao que cada um dos bichinhos está expressando.

 

Leticia Guimarães Lyle é a Diretora Pedagógica do AfterSchool Educação, mestra em Desenvolvimento de Currículo e Educação Inclusiva com especialidade em Competências Socioemocionais pelo Teachers College da Columbia University. É sócia fundadora do Mindset Education, grupo que trabalha com projetos educacionais, atualização de currículo e formação de professores. Responsável pela adaptação do Programa Compasso Socioemocional e coordenadora de curso de Pós Graduação do Instituto Singularidades.

Leticia Lyle

Fontes

Porvir: http://www.porvir.org/especiais/socioemocionais/     (2016-04-20)

CASEL: http://www.casel.org/social-and-emotional-learning/core-competencies/     (2016-04-20)

Distúrbio Articulatório

Luciana Vieira Dias Alves de Oliveira, Fonoaudióloga

A criança deve completar a aquisição de todos os fonemas, ou seja, falar corretamente até os quatro anos e meio de idade.

Aos cinco anos deve estar falando como um pequeno adulto. Quando isto não acontece, a criança passa a apresentar o que chamamos de distúrbio articulatório.

O Distúrbio articulatório é uma alteração na fala que ocorre principalmente na infância, sobretudo nos primeiros anos escolares. Às vezes parece ser “bonitinho” ver uma criança falando errado, mas dependendo do tipo de erro e a idade é importante ficar atento e procurar um fonoaudiólogo. Este profissional avaliará a necessidade ou não de um tratamento.

A alteração na fala pode ocorrer de diversas formas como:

Omissão: quando há ausência da produção de um ou mais fonemas (sons), como “ato”, “apéu”, “ofá”  ou “pesente” para gato, chapéu, sofá ou presente.

Trocas: quando o fonema não é produzido ou é substituído por outro. Exemplos: cachorro para “tachorro”, gato para “dato”, pássaro para “pássalo”, chinelo para “sinelo”, entre outros.

Adição: nesse caso, a criança adiciona sons que não existem na palavra, como “predra” ao invés de pedra.

Transposição: ocorre inversão do lugar onde o som é pronunciado corretamente. Assim a palavra iogurte e caderno, passa a ser emitido como “iorgute e cardeno”.

Distorção: quando a produção do som parece ser estranha, como por exemplo, som de “s” parecido com som de “ch”(sapato para chapato) ou som de z com som de j (azul para ajul).

Substituição ou trocas sonoras: vaca, bola, zebra, goiaba e jacaré são produzidos respectivamente por “faca, pola, sebra, coiaba e chacaré”. Estas trocas estão intimamente ligadas à discriminação auditiva e são conhecidas como troca de sonoridade, pois um som sonoro /b,d,g,v,z,j/ é trocado por um surdo /p,t,q,f,s,x/. Este tipo de troca não é esperada em fase alguma da aquisição da fala, pois trata-se de uma dificuldade em uma das habilidades auditivas, ou seja, a criança escuta perfeitamente, porém não consegue reconhecer, discriminar auditivamente  que um som é diferente do outro (forte e  fraco).

Outro tipo de distúrbio articulatório é conhecido como sigmatismo anterior. Neste caso, a língua é posicionada entre os dentes e para frente durante a produção de alguns fonemas, principalmente nos sons /S e Z/.  Dependendo da idade em que a criança se encontra, a freqüência e a intensidade no modo em que a língua é projetada entre os dentes, deve-se procurar tratamento fonoaudiológico para adequar a posição correta da língua durante a fala.

Várias são as causas que podem propiciar um distúrbio articulatório, entre elas: atraso da linguagem, ou seja, criança que demorou muito para falar, cultura, regionalismo, ambiente familiar, uso prolongado de chupeta ou mamadeira, alterações nos músculos orais, má- oclusão dentária, alteração cognitiva, problemas auditivos, entre outros.

Os pais devem ficar atentos na fala dos pequenos. Dependendo dos tipos de trocas e a fase em que a criança se encontra se não forem acompanhadas e até mesmo tratadas, estas trocas podem interferir no processo da aquisição da escrita, ou seja, falar e escrever errado. Pode também gerar redução na auto estima, já que a criança encontra-se numa fase de grande expressividade oral e para ela não será nada agradável que sua fala cause estranheza ou não seja compreendida pelos seus colegas ou familiares.

O distúrbio articulatório tem tratamento e o profissional adequado é o fonoaudiólogo. Ele realizará uma avaliação da fala da criança e de todas as estruturas orais e aspectos que interferem e envolvem a linguagem oral.

Caso seu pequeno(a) apresente algum erro na fala, è importante ressaltar que: não é adequado  reforçar os erros da criança, imitando o modo como ela fala ou dizer que é bonitinho. Evite induzir a criança a falar certo e nem fique repetindo inúmeras vezes a produção adequada da palavra. Rir do modo como o menor fala também não é aconselhável. Esse tipo de crítica só aumentará o distúrbio e o medo de falar, gerando até a possibilidade de uma gagueira patológica.

Cabe ressaltar que o tratamento fonoaudiólogico é fundamental para que o distúrbio articulatório não interfira na escrita e na auto estima, além de evitar que a criança chegue na fase adulta  com as alterações já descritas.

Luciana Vieira Dias Alves de Oliveira, fonoaudióloga educacional e com atuação clínica em distúrbios da voz, fala, processamento auditivo central e distúrbios de leitura e escrita. Ministra cursos e palestras de formação para professores de Educação Infantil e profissionais que atuam com a comunicação e expressividade vocal. Docente do curso de licenciatura em música e Pedagogia da FAC- FITO. Mestre em Fonoaudiologia pela PUC/SP, especialista em voz pelo CEV, aperfeiçoamento em Processamento Auditivo Central e em fonoaudiologia hospitalar pelo Hospital do Servidor Público Estadual. Graduada pela Universidade Bandeirantes de São Paulo em 2000. Vencedora de melhor trabalho em atuação com professores com distúrbios vocais no Congresso Internacional de Portugal em 2007. www.oliveiraluciana.com.br / fonoluciana@hotmail.com

luciana Fono

Luciana Vieira Dias Alves de Oliveira